quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Nossa terra tem história


A história de Aleijadinho contada pelo historiador Oswaldo Gonçalves Pinto*

Quando Aleijadinho era novo, namorou uma moça bonita em Ouro Preto. Um tempo depois ele foi trabalhar em Sabará e quando voltou sua namorada havia casado o Alferes Zé Romão. Nesta época, foi encomendado a Aleijadinho uma nova imagem de São Jorge para a procissão de Corpus Christi no mês de junho. Para se vingar, Aleijadinho fez a imagem de São Jorge com o rosto de Zé Romão. Na procissão de Corpus Christi, quando São Jorge saiu às ruas, Vila Rica inteira gritou: “Este São Jorge que passa, com cara de santarrão, não é São Jorge nem nada, é o Alferes Zé Romão”.

Aleijadinho foi trabalhar em São João Nepopuceno e no caminho passava por Vila Espera, atual Rio Espera. No ano de 1788 Aleijadinho pegou em Vila Espera um pedaço de madeira “cedro” e fez a imagem de Nossa Senhora da Conceição para a cidade de Congonhas do Campo. Em 1968 foi gravado um filme em Congonhas do Campo, com o nome de “A madona do cedro”, cujos três principais atores eram Anselmo Duarte, Leonardo Vilar e Leila Diniz.

Com a Inconfidência Mineira, os inconfidentes ficaram com medo de ficar em Ouro Preto. O poeta Tomaz Antônio Gonzaga foi degredado para a África e morreu lá no ano de 1810 e sua namorada, Maria Joaquina Dorotéia, chamada de “Marília de Dirceu”, para não ser degredada ficou escondida em uma casinha na divisa dos municípios de Itaverava e Conselheiro Lafaiete.

Naquela época Aleijadinho pegou a empreitada para fazer o Altar- mor de Ouro Preto, de madeira cedro, da Igreja São Francisco de Assis e partiu para Vila Espera com três escravos: Maurício, Agostinho e Januário. Maurício e Agostinho aprenderam a entalhar com o Aleijadinho e Januário cortava árvores e cozinhava.

No ano de 1792, Aleijadinho fez o altar-mor da Igreja São Francisco de Assis, de Ouro Preto. A madeira era preparada e levada através de carro-de-boi para Ouro Preto. Em 1973 Aleijadinho fez a imagem de Nossa Senhora da Piedade, padroeira da cidade de Rio Espera e dezenas de santos. No ano de 1794 ele cortou muita madeira em Rio Espera para fazer as 66 imagens dos passos da cidade de Congonhas do Campo.

Eu acredito que, 70% das imagens esculpidas por Aleijadinho nesta época, foram feitas pelos seus dois escravos, Maurício e Agostinho, tendo em vista que Aleijadinho já estava bem doente e velho.

Aleijadinho faleceu no ano de 1814.

*Oswaldo Gonçalves Pinto - Historiador nascido na cidade de Rio Espera - Minas Gerais - Faleceu em 06 de novembro de 2011

3 comentários:

Ronaldo Nogueira disse...

Lembro-me de um dia quando voltava para Belo Horizonte Osvaldo pegou carona até sua casa na Rua Nova e contou-me vários casos. Um deles era esse de que o Aleijadinho havia morado em Rio Espera.

Fabrício Miranda disse...

A cada partida para o campo celestial, perdemos parte da nossa história, que hoje existe registrada apenas na memória e faz parte da oralidade.

Por isso a comunidade deve se unir, colaborar para criar e manter o Museu e Arquivo Rio Espera.

Ana Maria Nogueira disse...

Nós não podemos perder essas informações... Creio que todas essas pessoas interessadas na história e no bem da cidade, mesmo não mais entre nós, estarão torcendo para que o projeto do museu se torne uma realidade.