quinta-feira, 24 de novembro de 2011

De quem será o museu?

Rio Espera esta dando um grande passo que ficará marcado na sua história, e deverá ter um setor de destaque neste, que todos estão se unindo para criar: Museu e Arquivo de Rio Espera.

Há muito não se vê nesta pequena cidade de Minas Gerais uma mobilização de toda sociedade (educadores, poder legislativo municipal, poder executivo municipal, entidades religiosas, entidade organizada da sociedade civil e sociedade no geral) em prol da criação deste Museu. Ele será o registro da memória e da história desta cidade que está no coração de todos nos rio-esperense ausente, presentes e rio-esperenses de coração.

Mas com tantas pessoas se juntando para a criação deste museu, fica a pergunta: De quem será o museu? Será dos educadores? Dos vereadores? Do Prefeito? Do Padre? Da ONG?

Não! Será de TODOS aqueles que acreditam que nossa cidade pode voltar a ser aquela “Rio Espera” dos tempos passados, quando se destacava como uma das cidades mais promissoras da região. E o mérito por essa vitória, deve ser TODOS os envolvidos e não de pessoas ou entidades em particular.

Nossa terra tem história


A história de Aleijadinho contada pelo historiador Oswaldo Gonçalves Pinto*

Quando Aleijadinho era novo, namorou uma moça bonita em Ouro Preto. Um tempo depois ele foi trabalhar em Sabará e quando voltou sua namorada havia casado o Alferes Zé Romão. Nesta época, foi encomendado a Aleijadinho uma nova imagem de São Jorge para a procissão de Corpus Christi no mês de junho. Para se vingar, Aleijadinho fez a imagem de São Jorge com o rosto de Zé Romão. Na procissão de Corpus Christi, quando São Jorge saiu às ruas, Vila Rica inteira gritou: “Este São Jorge que passa, com cara de santarrão, não é São Jorge nem nada, é o Alferes Zé Romão”.

Aleijadinho foi trabalhar em São João Nepopuceno e no caminho passava por Vila Espera, atual Rio Espera. No ano de 1788 Aleijadinho pegou em Vila Espera um pedaço de madeira “cedro” e fez a imagem de Nossa Senhora da Conceição para a cidade de Congonhas do Campo. Em 1968 foi gravado um filme em Congonhas do Campo, com o nome de “A madona do cedro”, cujos três principais atores eram Anselmo Duarte, Leonardo Vilar e Leila Diniz.

Com a Inconfidência Mineira, os inconfidentes ficaram com medo de ficar em Ouro Preto. O poeta Tomaz Antônio Gonzaga foi degredado para a África e morreu lá no ano de 1810 e sua namorada, Maria Joaquina Dorotéia, chamada de “Marília de Dirceu”, para não ser degredada ficou escondida em uma casinha na divisa dos municípios de Itaverava e Conselheiro Lafaiete.

Naquela época Aleijadinho pegou a empreitada para fazer o Altar- mor de Ouro Preto, de madeira cedro, da Igreja São Francisco de Assis e partiu para Vila Espera com três escravos: Maurício, Agostinho e Januário. Maurício e Agostinho aprenderam a entalhar com o Aleijadinho e Januário cortava árvores e cozinhava.

No ano de 1792, Aleijadinho fez o altar-mor da Igreja São Francisco de Assis, de Ouro Preto. A madeira era preparada e levada através de carro-de-boi para Ouro Preto. Em 1973 Aleijadinho fez a imagem de Nossa Senhora da Piedade, padroeira da cidade de Rio Espera e dezenas de santos. No ano de 1794 ele cortou muita madeira em Rio Espera para fazer as 66 imagens dos passos da cidade de Congonhas do Campo.

Eu acredito que, 70% das imagens esculpidas por Aleijadinho nesta época, foram feitas pelos seus dois escravos, Maurício e Agostinho, tendo em vista que Aleijadinho já estava bem doente e velho.

Aleijadinho faleceu no ano de 1814.

*Oswaldo Gonçalves Pinto - Historiador nascido na cidade de Rio Espera - Minas Gerais - Faleceu em 06 de novembro de 2011